Seguindo em frente

“Quando isto acabar, eu vou ter a minha Ilha à minha espera.”

(Crónica de Elisa Freitas, na República Checa)

Estou no primeiro ano da universidade, ainda tudo é novo, ainda tudo é difícil de acompanhar.

Vou para a aula de inglês com os meus colegas, tentamos nos conhecer ao longo de conversas banais e, para mim, é difícil acompanhar, pois na Madeira todos têm algum tipo de ligação. Mas tento enquadrar-me mesmo que ainda tudo seja tão diferente daquilo que era a minha vida antes. Na aula estivemos a falar de viagens, a professora perguntou quais são os nossos destinos de sonho, para onde já viajamos e na minha cabeça passam as imagens das pequenas viagens que fiz com a minha família. Continuamos a conversa e surge o tema de Erasmus, eu refiro logo que era um sonho meu desde muito nova estudar num país diferente, conhecer uma cultura de perto. Colegas meus dizem que também adorariam fazer e prometemos procurar mais sobre o programa para que, quem sabe, algum dia possamos fazer.

“Olho para trás e tudo isto parece um sonho.”

Passados dois anos, uma pandemia e meio curso feito, estou no quarto da residência da Universidade de Pardubice, na República Checa. Olho para trás e tudo isto parece um sonho, uma realidade distante de tudo aquilo que deixei para trás. O sonho que sempre quis não envolvia máscaras e um vírus a circular pelo mundo todo, mas segui em frente e o que acabou por se concretizar também é muito bom. Está longe de ser o que eu imaginei, quando cheguei tinha cerca de 15 polícias à nossa espera e nenhum deles falava inglês. É engraçado como aqui existem poucas pessoas que falem inglês, mas conseguem dizer exatamente o que querem com apenas gestos. Quando entrei num autocarro, na minha ignorância, quis pagar o bilhete com uma nota de 1000 coroas checas (cerca de 39 euros), a senhora disse logo “no, no, no!”, mas muito simpática e, novamente, sem falar inglês, mostrou-me que moedas é que deveria de dar para lhe facilitar o troco (já agora, custa apenas 25 coroas checas, 0,96 cêntimos). Outro grande obstáculo desta viagem foi, sem dúvida, a neve e o frio. Para alguém que vem de uma ilha em que, por esta altura do ano, já se faz praia, o choque de temperaturas e de ambiente foi enorme. Não sei como consegui arrastar as minhas malas na neve, deve ter sido algo muito engraçado para quem me estava a ver. O pior é que passei a minha vida toda a dizer que preferia o frio ao calor, mas acabei por descobrir que afinal sinto-me mais confortável num calor tropical do que num frio em que apenas dois casacos não servem para aquecer.

            Em apenas uma semana já vivi mais do que esperava, já conheci tanta gente de países diferentes, já provei alguma comida e pronto… Alguma cerveja tradicional. Sabiam que a República Checa é o país com maior consumo de cerveja no mundo per capita? Eu sei dizer porquê… Ah, também tive aulas de Checo! Foi um curso intensivo de dois dias, onde me mantive muito séria e focada para aprender a me apresentar em checo e para saber dizer “obrigada”. Esforcei-me bastante, mas ainda não consigo pronunciar os Ž e ainda solto um pequeno riso quando tenho que dizer que sou da “Madeirini” (Madeira em checo…).

            Até agora está a correr bem e poderia correr ainda melhor se não tivesse já tantas saudades de casa, saudades da rotina da Ilha e saudades do calor. Tanto do calor da Ilha como do calor do abraço dos meus pais! É ótimo ter a oportunidade de conhecer lugares e pessoas novas, viajar e concretizar sonhos e o melhor disto tudo é poder sentir-me tranquila, porque sei que, quando isto acabar, eu vou ter a minha Ilha à minha espera.

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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