Quem vem de fora vê sempre melhor

“Do nada, a ilha aparenta ter mais qualidades que defeitos”

(Artigo de opinião de Pedro Ortelá)

Encontramos nesta altura do ano tempo de sobra para convívios e reencontros. Uns regressam da universidade com histórias do outro mundo, mas sempre a recordar os exames que não tardam em chegar, como se uma boa ou má nota não fosse inteiramente da responsabilidade deles. Outros, com anos de bagagem de vidas noutro país e outras culturas, regressam com uma felicidade imensa, esquecendo muito provavelmente o motivo que as fez partir. Na despedida é que já é outra conversa.
Não é necessário falar sobre como esses encontros devem ou não acontecer. Falo antes de termos consciência naquilo que podemos fazer para evitar a propagação daquilo que fez muitas pessoas passarem A Festa de uma maneira diferente. Felizmente as tecnologias atenuam a distância física. Mas se eu fosse “queimar” um artigo de opinião com vírus, quando já todos estamos fartos de ler e ouvir sobre esse assunto, mais valia não dizer nada. Prefiro antes relatar as ideias e projectos de quem diz: “Foi preciso sair da escola para fazerem uma nova”. Também aconteceu comigo na escola primária. São esses que interessam, porque se eles não se interessarem por este pedaço de terra, então ninguém vai importar-se, mas felizmente a distância faz nascer um sentimento que vem ao de cima sempre que o nome Porto Santo é proferido. Do nada, a ilha aparenta ter mais qualidades que defeitos e a calma passa a ser fantástica, contrastando com a velocidade da metrópole.
Tenho procurado nesta altura percorrer os quatro cantos da ilha sem nada combinado. Existe sempre alguém que aparece pelo caminho e do nada são minutos sem fim de conversa e cafés pelo meio. O meio académico fez com tivessem um contacto diferente com a política e uma vez rodeados de outros colegas, que como eu, têm interesse e até fazem parte de alguma juventude partidária, não tem como fechar os olhos e fazer de conta que a política não existe, por muito desânimo que exista. Começam então as
conversas que antes não existiam e notamos que a noção de esquerda e direita já está bem vincada.
Não precisam ser de direita como eu, que até julgo que o Partido Socialista deveria activar a sua juventude partidária na ilha. Com a existência de pelo menos duas “jotas” haveria uma disputa saudável de projectos e ideias de futuro para o Porto Santo. Não tenho dúvidas de que teria um impacto positivo nos jovens. Todos ganhavam, mas cada um cuida da sua casa.

“O que eu digo sempre é que não percam a esperança de voltar e desenvolver aquilo que querem fazer”

Voltando aos nossos que estão de visita nesta época, chega a ser impressionante a quantidade de ideias que observaram nos sítios onde vivem e estudam. Ideias com valor, muitas delas no campo cultural, onde a escassez de dinheiro não é o principal entrave à sua execução no Porto Santo. O que eu digo sempre é que não percam a esperança de voltar e desenvolver aquilo que querem fazer para a vida cá. Vai ser esta geração que vai alterar o paradigma do Porto Santo e eu não duvido disso. Só não tenho a certeza se será por vontade própria ou necessidade.
Que todos tenham uma época festiva com saúde, esperança e muita vontade para desafiar o próximo ano.

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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