Partilhar casa

“Ou isso, ou doamos um rim para conseguir pagar a renda de um mês, num T0.”

(Crónica de Lécia Rodrigues)

Todos sabemos que é uma realidade transversal aos universitários deslocados – ter que partilhar casa.

Ou isso, ou doamos um rim para conseguir pagar a renda de um mês num T0. Visto que só temos dois e que um curso dura, no mínimo, três anos, algo me diz que após dois meses teríamos que começar a recorrer ao mercado negro. Por isso, tal opção é, espero eu, desde logo excluída.

Assim, o processo inicia-se quando as nossas mães começam por se inserir em tudo o que é grupo do Facebook com nomes do tipo: “quartos bons para alugar a um bom preço”, “quartos baratos, perto da universidade” e ainda, algo do género – “quartos para alugar numa casa onde não se possa fumar, beber, que seja só alugado a jovens que queiram estudar e que não seja permitida a entrada de companheiros suspeitos a estabelecer qualquer relação física amorosa”.

“E se tiverem uns óculos escuros, levem também, e quanto mais opacos, melhor!”

Após esta invasão virtual e pesquisa pormenorizada, faz-se uma lista de opções, onde os preços variam de 8 a 80. Por norma, começa-se por visitar os mais baratos, porque nestes momentos tornamo-nos todos religiosos, e a fé e a esperança insistem em residir nos nossos corações. Para a visita, uma vez que metade da população da ilha sofre de renite alérgica e sinusite, recomendo que levem máscara, mesmo que a pandemia já tenha acabado. E se tiverem uns óculos escuros, levem também, e quanto mais opacos, melhor! Por fim, caso decidam mesmo ficar nessa casa, não poupem só para pagar todas as despesas, mas também para o remédio da formiga branca, que todos os meses vai relembrar-vos que existe e que é real. 

De forma resumida, este sistema rege-se por – quanto mais perto for da faculdade, mais caro o quarto. Sendo que o custo dos 5 minutos a pé, desde a porta de casa até a entrada da faculdade, paga-se a uma senhoria que é dona de um clínica dentária, revendedora de Avon e com um marido advogado, para não falar da herança que os pais deixaram.

Ah e as despesas, não estão incluídas!

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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