Fazer música com cores

“Abrantes? Onde fica Abrantes?”

Arriscar-me-ia dizer que pouquíssimos leitores do jornal digital A Ilha saberão situar a estratégica cidade do distrito de Santarém e, no entanto, há em Abrantes uma casa onde todos conhecem bem Porto Santo. E conhecem também os seus elementos mais icónicos. Porquê? Porque na parede da divisão principal dessa casa está uma tela onde pontuam: um barco carreireiro, o cais, um velho moinho e, claro, o Pico do Castelo. Tudo isto num quadro. Um quadro de António Iglésias.

António Iglésias é um artista multifacetado

António Manuel Lopes Serrão Iglésias dispensa apresentações. O seu trabalho fala por si. Radicado no Porto Santo, este artista multifacetado cruza áreas tão diversas como a pintura, a escultura, o design gráfico ou a produção digital. Um bloco de arenito, o casco de um barco, um banco de jardim, a folha de papel ou o ecrã de computador são suportes que dão corpo às suas múltiplas expressões artísticas.

Marcada durante muito tempo pela Ilha onde escolheu viver há quase trinta anos, a obra do Professor-Pintor arrisca agora um novo percurso – fazer música com cores. Inspirada pelo artista russo Wassily Kandinsky, a pintura de António Iglésias procura agora compreender a relação sinestética entre as cores e os sons, cruzando a pauta musical com a paleta cromática.

Qual é a cor do som?

“É impossível fazer música com cores, mas todas as tentativas, todo o percurso é muito gratificante”, afirma Iglésias, “vários tipos de grafismo surgem e claro, é uma autêntica brincadeira”, conclui.

Com trabalhos e exposições que passam por África, Ásia, a Europa e a América, António Iglésias parte, assim, da Ilha do Porto Santo, em busca de novos horizontes, novas fronteiras.

O Mestre e a Obra

Ah! Já me esquecia! A exposição “Sinestesia”, que reúne os trabalhos mais recentes de António Iglésias, está patente na Sala de Exposições do Edifício dos Paços do Concelho, até ao dia 18 de Setembro. A não perder!

(NOTA: Face ao período eleitoral que atravessamos, o jornal digital A Ilha optou por não fazer qualquer publicação, para que não se confundissem as coisas. Mas não poderíamos ficar indiferentes ao trabalho do Mestre. Quebramos o silêncio, mas a ele regressamos de imediato. Até ao dia 27 de Setembro.)

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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