De bolsos tesos numa cultura pobre

“um sector que entre muitas coisas, define quem somos enquanto povo.”

(Artigo de opinião de Pedro Ortelá)


As prioridades mudaram no pensamento das gerações vindouras.

A consciência daquilo que é necessário ou não, por parte dos jovens, alterou o próprio espectro político português, dando como exemplo a entrada de partidos na Assembleia da República como o PAN, que diversificam os assuntos da ordem do dia fugindo, muitas vezes, das questões habituais de
ordem financeira. Se eu acho que seja necessário um partido para defender as causas da natureza? Sinceramente não, mas pouco mais de 170 mil portugueses acharam que sim nas últimas eleições legislativas e em Bruxelas notou-se um claro aumento da família do PAN nas últimas europeias. Não é, portanto, aquilo que eu acho ou deixo de achar. É uma realidade esta mudança de prioridades.


Fruto das vivências que fui tendo ao longo destes anos, a minha maneira de encarar certos assuntos, como a cultura, alterou-se e muito.

Se a memória não falha, julgo até que a palavra cultura não entrava numa frase minha. Pelos piores motivos, não temos como passar um dia sem ouvir relatos de profissionais ligados à cultura, que devido à situação pandémica foram os primeiros a parar com a perspetiva de serem os últimos a retomar a sua actividade.
Assistimos também a uma luta permanente para um reforço no apoio à cultura. Fala-se em atingir 1% do Orçamento de Estado para este sector. Se pesquisarem sobre o assunto vão encontrar relatos de “1% é fundamental”, ou então, “1% para a cultura é a solução”.
Imaginem o que é pedir de joelhos 1% do Orçamento de Estado para apoiar um sector que entre muitas coisas, define quem somos enquanto povo. Tenho no meu pensamento que a mensagem não está a passar para quem tem o poder de alterar o rumo das coisas. Desengane-se quem acha que não passa pelos políticos. De alguma maneira, a cultura tem de ser encarada
como uma mais valia económica, que o é, para que capte o verdadeiro interesse. A cultura por si só tem um conceito amplo e não é, como já ouvi dizer, “danças e cantorias”.

Será necessário criar um partido dedicado exclusivamente à cultura?

De uma coisa tenho a certeza. Para voltar a renascer a cultura, com mais ou menor percentagem de apoios, é no ensino que a mudança é feita. É um processo longo e porventura penoso, mas necessário, porque se muitos estão preocupados apenas com o défice e não resolvem, pelo menos que
contemos os trocos, mas deixem-nos mais cultos nem que seja um pouco.
Crimes como o que foi cometido ao Ballet Gulbenkian (1961-2005), por exemplo, demonstra a prioridade que damos enquanto nação… E se eu me refiro a uma questão nacional é porque, na Região, ainda não ultrapassámos a barreira da bilheteira gratuita para todo o ofício que seja
considerado arte.


É caro? Não, tu é que não foste educado para isso.

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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