Até sempre, sr. Gouveia!

Construção de uma joeira. Crédito: Movimento cívico SPS

Tenho uma imagem muito nítida do Sr. Gouveia.

Na manhã do dia 25 de abril de 2014, uma manhã já de Primavera, o movimento cívico Somos Porto Santo (SPS) preparava mais uma iniciativa – assinalar a data da revolução com o lançamento de joeiras. Enquanto montávamos aquele tradicional brinquedo infantil, o sr. Gouveia foi-se aproximando, com a tranquilidade e a autoridade de quem conhecia bem as joeiras.

– É melhor cruzar ali! Talvez se reduzissem um pouco o tamanho daquele suporte! Não se esqueçam da cauda, por causa do equilíbrio!

Ignorantes na matéria, aceitamos de bom grado os conselhos e, pouco depois, era ver as joeiras a erguerem-se no ar, cada vez mais alto, cada vez mais alto. Os gritos de espanto e de alegria foram enchendo o ar daquela manhã de abril. O sr. Gouveia contava memórias dos seus tempos de infância, partilhámos histórias, rimos e conversámos um bom bocado.

25 de abril de 2014, joeiras no ar. Crédito: Movimento cívico SPS

Depois dessa data, fui-me cruzando com ele pela Vila e sempre um sorriso crescia com a recordação do dia das joeiras. Depois os encontros foram rareando, rareando. De vez em quando encontrava os filhos, profissionais dedicados, e perguntava-me do que teria sido feito do sr. Gouveia. Tive a honra de ser professor de uma neta, aluna dedicada, que me fazia recordar o avô que me ensinou a lançar joeiras.

Há tempos ouvi dizer que estava doente e fora encaminhado para o Hospital Nélio Mendonça, no Funchal. Temi o pior.

Esta semana, um post no Facebook de uma sobrinha anunciava o pior. Os jornais regionais também deram conta da triste novidade: Faleceu o primeiro porto-santense com covid. Enfim, os jornais…

Lembrei-me, então daquela manhã de abril, da simpatia, da tranquilidade, do sorriso, da perícia do sr. Gouveia.

Até sempre, sr. Gouveia! E lá no alto, como uma joeira, olhe por nós!

Carlos Silva

Depois de uma viagem tranquila, mergulhado num mar de dúvidas, aportei a 2 de setembro de 1999, à Ilha do Porto Santo! À chegada, uma doce e quente onda de calor, qual afago de mulher amada, assaltou-me, até hoje! Do sucedido de então, até aos dias de hoje, guardo-o na memória; os sucessos, de hoje em diante, aqui ficam, para memória futura, da minha passagem pela Ilha!

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